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O preço unitário seduz. O montante decide.

De quinhentos para cem por peça parece irresistível. Mil unidades viram cem mil reais saindo do caixa. Duas perguntas que chegam misturadas em toda negociação.

Última semana do mês. O telefone toca e o fornecedor está animado. O preço caiu muito, o prazo aumentou, a margem projetada ficou bonita. Parece uma oportunidade que seria irresponsável deixar passar.

Até aparecer a condição: para levar nesse preço, precisa comprar mil unidades.

Duas contas ao mesmo tempo

O preço unitário conta uma história conveniente. Antes custava quinhentos, agora custa cem — quatrocentos reais de diferença por peça. A cabeça corre para a margem, para o ganho, para o quanto a empresa economizou.

O caixa faz outra conta: cem reais vezes mil unidades. Cem mil reais.

O desconto mora na unidade. O esforço financeiro mora no montante. E a empresa não paga boleto em percentual de desconto — paga em dinheiro.

O que a economicidade mede

Ela não serve para dizer se o produto é caro ou barato. Serve para mostrar quanto recurso ele exige para existir no estoque.

Um item de baixo custo pode ser pesado se o volume for enorme. Um item de alto custo pode ser administrável se a quantidade for pequena e a saída for segura. Preço sozinho não responde; quantidade sozinha também não. O impacto nasce do encontro entre os dois.

Isso muda a conversa com o fornecedor. Em vez de perguntar apenas quanto se ganha comprando, começa-se a perguntar quanto da empresa ficará preso nessa decisão, por quanto tempo, com qual risco, e o que se deixará de comprar por ter escolhido colocar dinheiro ali.

Toda compra ocupa espaço. Mas também ocupa futuro.

O que o desconto costuma esconder

O dinheiro colocado num item deixa de estar disponível para outro. A oportunidade que entra pode empurrar a necessidade para fora. E, quando a venda não acontece no ritmo imaginado, a parcela continua chegando: o produto fica, o boleto anda.

Economicidade não é medo de comprar, nem defesa automática do caixa contra qualquer movimento. É consciência do esforço — e é separar duas perguntas que costumam vir misturadas.

O preço é bom? A compra cabe?

Uma resposta pode ser sim e a outra, não.

Antes de fechar

Da próxima vez que o preço parecer irresistível, não olhe apenas para o número pequeno. Olhe para o número que vem depois da multiplicação. É ali que a decisão começa a ficar honesta.

O preço unitário seduz. O montante decide quem consegue continuar comprando amanhã.

E, mesmo quando o caixa suporta, ainda falta uma pergunta: o fornecedor consegue cumprir o que promete?

Adaptado de Imersão em Compras, capítulo 8, de Valdemir Neto — Três Mil (125), Edição Imersões.

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